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Este conto aborda saúde mental, surto psicótico e isolamento. Se você estiver passando por um momento difícil, o CVV atende 24h pelo 188.

CONTO

O Quarto
das Moscas

Robério Diógenes

Imagem definitiva em breve

Conto · Horror Psicológico · Sobrenatural Gratuito

O Quarto
das Moscas

"Não existe loucura que não carregue, dentro de si,
um grão de verdade que o mundo não quis ouvir."

Conto · 5 cap. + Epílogo Leitura: ~45 min
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Sobre o conto

Leandro tem trinta e quatro anos. Vive sozinho no apartamento onde cresceu, no quinto andar de um prédio que foi esvaziando com a paciência das coisas que não têm pressa de acabar. A mãe morreu há dezesseis meses. Ele parou com os medicamentos há quatro.

Quando um cheiro novo — úmido, adocicado, com uma nota de podre por baixo — invade o apartamento sem causa aparente, Leandro começa a documentar. As moscas chegam no dia seguinte: imóveis, agrupadas, com uma quietude que não é a quietude das coisas mortas. Dentro das paredes, algo se move com a hesitação de quem procura. E embaixo do papel de parede do seu quarto, escrito no reboco, alguém deixou uma frase.

Seu próprio nome.

O Quarto das Moscas é um conto sobre a fronteira entre o surto e a revelação — e sobre o que acontece quando essa fronteira some. Sobre a diferença entre aquilo que a mente constrói e aquilo que estava lá antes da mente existir.

Do caderno de Leandro

Dia 1

"Cheiro novo. Origem desconhecida. Janelas abertas às 14h37. Persiste às 22h10."

Dia 2

"Moscas. Concentradas principalmente na janela do banheiro e na parede sul da sala. Não respondem a movimentos bruscos. Fotografia tirada às 16h22."

Dia 2 — noite

"Pasos. Acho que pasos. Parede do quarto, sentido norte. 23h15 até aprox. 23h58."

Só notou o erro ortográfico na manhã seguinte. Tinha escrito pasos, sem duplo s. Como uma criança.

A análise espectrográfica detectou sobreposição de frequências incompatível com fonte única: como se a voz fosse composta de múltiplas vozes falando exatamente as mesmas palavras no mesmo instante, com variações de timbre suficientes para ser identificadas separadamente mas não separáveis na escuta comum. Como se não fosse uma pessoa falando. Como se fosse todas elas.

— Epílogo: O Áudio

Estrutura

I O Apartamento O cheiro · as moscas · o síndico · o corredor
II O Papel de Parede A decisão · a escrita no reboco · ELA NÃO MORREU · o nome
III A Voz O quarto da mãe · a décima sétima noite · o homem sem olhos
IV A Parede do Banheiro Os vizinhos somem · as moscas migram · o martelo · as fitas VHS
V O Registro O gravador · a noite inteira · o espelho
Epílogo: O Áudio O arquivo em nuvem · 48 minutos · a última voz

Para você que vai ler

O Quarto das Moscas é para leitores de horror que preferem a perturbação lenta ao susto rápido. O que Robério Diógenes constrói aqui não é terror de porta que bate — é o horror de não saber se o que você vê é real, se o que você ouve aconteceu, se o prédio estava realmente vazio antes que você entrasse.

Leandro documenta tudo com a obsessão de quem sabe que a própria percepção não é confiável. E é exatamente essa obsessão que torna o conto perturbador: a documentação é rigorosa, a evidência se acumula, e no final o leitor se vê na mesma posição de Leandro — com todas as provas na mão, sem poder ter certeza de nada.

Leva cerca de 45 minutos para ler. Talvez mais, se você pausar na última linha.